Esse texto vai ser importante pra muitos outros que virão, pois enxergo este espaço como um local para debater a Análise do Discurso… mas antes, uma digressão…
Acho que posso afirmar que tenho bastante experiência com faculdades, afinal frequentei cinco cursos de graduação (quatro deles concluídos!) e dois de pós-graduação, ao qual conclui um. Já no primeiro curso me deparei com uma área da semiótica chamada Análise do Discurso, ao qual me apaixonei tremendamente. Mas o que seria isso?
Pra gente resumir, a Análise do Discurso é uma área que estuda como o sentido é produzido na linguagem, considerando não só o que é dito, mas “quem diz”, “para quem diz”, “em qual contexto histórico”, “com qual intenção”, “dentro de qual pensamento”, “usando quais estratégias de linguagem”, ou seja, ela vai além do texto literal e questiona qual visão de mundo está construída com aquelas palavras.
Exemplo prático: na frase “Reforma trabalhista moderniza o mercado”, a AD perguntaria quem está falando em “moderniza”; quem ganharia com essa modernização?; quem perde?; qual o pensamento por trás do termo?; que outras palavras poderiam ter sido usadas?
O mais curioso de notar é que essas perguntas serem as mesmas para diversos pensadores, cada um vai procurar um significado diferente. Se pegarmos Pêcheux, ele vai seguir pela questão ideológica; Foucault procuraria onde está a prática de poder; Fairclough tentaria unir o discurso a sociedade e a prática social; enquanto Bakhtin iria fazer um dialogismo das vozes sociais.
Apesar de ser apaixonado pela área demorei muito para me aprofundar nela. Aí, cinco anos depois faria algo indiretamente na área, que foi meu TCC na graduação em Música. Ali, uni minha paixão pela saga literária As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, pelo seriado da HBO baseado na obra, Game of Thrones, e a música ao fazer um trabalho que mostrava como o compositor Ramin Djawadi ajudava a construir aquele universo de fantasia. Sem saber, eu entrava nuns campos mais recente e interdisciplinar da academia, a Análise do Discurso Sonoro.
O som também comunica sentido e a ADS procura estar as músicas, as trilhas sonoras, as paisagens sonoras, os designs de som, a voz e entonação e inclusive o silêncio e o ruído.
Qual a mensagem o som constrói? Que emoção ele direciona? Que identidade ele cria? Como o som organiza poder e autoridade? Como conjuminar a cena com o som? Por que aquela cena tão importante não foi musicada? Que papel o silêncio desempenha?
Em termos práticos, quando ouvimos uma trilha grave com os instrumentos de cordas tensos nos mostra como um sentimento de ameaça vai permear aquela obra cinematográfica, antes mesmo que apareça na tela.
Podemos também usá-la na política porque uma voz pausada, grave e lenta constrói uma figura de autoridade, dá credibilidade e um espírito de liderança.
Se colocarmos no mundo dos videogames, bom, um som ambiente minimalista cria uma imersão e uma sensação de solidão que, na prática, forma uma narrativa indireta, um subtexto que não foi escrito e que não está nos roteiros.
Futuramente gostaria de trazer algumas análises práticas, seja de trilhas sonoras, álbuns de famosos e até de não famosos. Quem sabe não trago trechos do meu TCC e até mesmo outros trabalhos que desenvolvi na pós-graduação.