Em 2010 é lançado Last Window: The Secret of Cape West somente no Japão e na Europa.

Neste game todas as mecânicas estão de volta, sem muitas alterações. Os gráficos foram melhorados, existem novas opções, como a possibilidade de combinar ou comparar itens, mas essas mecânicas são exigidas raramente.

O jogo ser próximo ao anterior não é algo ruim, se você gostou do primeiro, é claro. A história continua interessante e bem conduzida, além de não ter relação nenhuma com o game anterior, a não ser por alguns easter-eggs. Algo bom para quem estiver começando por esse, pois não irá sofrer spoiler do outro game.

Me perguntava qual a desculpa para colocarem Kyle Hyde novamente no hotel e a solução encontrada foi colocá-lo dentro de um apartamento. Apartamento este que também já foi um hotel, algo nada criativo, mas também não consigo pensar em outra alternativa.

Passando-se um ano após o game anterior, em 1980, o jogo se passa em Cape West Apartaments, assim como no velho Hotel Dusk, o local é cheio de segredos e por coincidência do destino também está relacionado ao passado de Kyle.

Mesmo que a premissa não seja criativa, o enredo continua intrigante e bem construído. Logo no início, o game mostra dois assassinatos. Um em 1955, quando um homem abre um cofre para obter uma pedra preciosa, mas eis que surge um estraga prazeres e o mata; o outro é em 1967, com uma mulher morta na mesa, enquanto seu suposto assassino sai do local, fechando a porta com todo o cuidado do mundo para não incomodar o sono da defunta. Ambos os assassinatos acontecem quando o local ainda era Hotel Cape West.

De volta a 1980, nosso herói vacila com patrão e este o demite. Com o rabo entre as pernas, Kyle vai para o Cape West, onde está hospedado. Ao chegar no local, ele descobre que a dona do local quer que todos os hóspedes saiam do apartamento até o final do mês, pois irá demolir o lugar. O desleixado Kyle não chegou a ver a correspondência que o informava deste fato. Pelo visto, nosso protagonista não curte muito cuidar da própria vida, mas quando se trata da vida alheia…

No meio das contas e panfletos, uma das cartas chama sua atenção: uma carta misteriosa que pede para ele investigar Scarlet Star e algo sobre o apartamento, que lhe é revelado que já foi um hotel. Eventualmente, Kyle descobre que aquele lugar possui relações com seu passado, ou melhor, com o passado de seu pai.

Assim como o game anterior, todos os NPCs são interessantes, a trilha sonora continua excelente, assim como a arte e a ambientação. Dividido em dez capítulos, o enredo se desenrola em uma semana, e não apenas uma noite como no anterior. Mas isso não faz diferença de verdade, já que nenhum dos dois jogos pressionam a passar as partes rapidamente.

Trazendo as qualidades do game anterior, ele também traz o seu principal problema: ele é totalmente linear. Mas agora temos dois minigames: um de bilhar e o outro ao qual não entendi nada.

O melhor incentivo de repetição é o modo de livro. A cada capítulo concluído, você poderá ler sobre os acontecimentos em forma de livro. Em ambos os games tínhamos um resumo sobre os personagens no caderno de anotações de Kyle, mas eram sobre a perspectiva dele. No modo novo tudo é escrito em terceira pessoa de modo imparcial. O livro tem até um suposto escritor chamado Martin Summer com direito até biografia no começo.

Se você curtir a história e não quer jogar novamente é só ler no modo de livro, muito bem escrito e detalhado nos mínimos detalhes os acontecimentos do enredo.

Resumindo, se você curtir o primeiro game e ficou querendo mais, esse jogo é perfeito para você. Ele não traz novidades, mas o enredo novo é tão bom quanto o anterior e com as mesmas mecânicas que fizeram Hotel Dusk. Infelizmente, este foi o último game da desenvolvedora Cing, que fechou as portas em março de 2010. Uma pena, pois todos os games que joguei dessa empresa são excelentes, inclusive Another Code, um game que nunca completei, mas quem sabe ao terminar de escrever este texto não volte a dar uma chance.

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