Sempre fui incomodado com a fan-base de Star Wars, e não me refiro aqueles que assistem os filmes e animações, jogam os games e leem as HQs e os livros na maciota, mas sim daqueles que louvam a primeira trilogia de Star Wars como se fosse a coisa mais incrível do cinema, sendo que outros tantos filmes renomados não passam de episódios fillers de Naruto perto da visão do iluminado George Lucas.
Peguei birra desse tipo de fã com o trailer Despertar da Força, o primeiro longa da nova trilogia. De um lado via um pessoal reclamando da Disney em por as mãos na série e do outro os que defendem a Disney, porém afirmando que a trilogia prequel foi um tremendo lixo e que eles deviam dar graças a deus pela companhia do Mickey.
Para mim, Vingança dos Sith não é só ótimo, como é melhor que Nova Esperança e O Retorno de Jedi, apesar de alguns defeitos como os cenários porcos em Utapau e a cena “Ani, you’re breaking my heart”. Aqui vou apontar dez reclamações desnecessárias deste fandom de Star Wars.
1 – Jar Jar Binks é uma droga. Poucos gostam deste bicho que fala, anda e, principalmente, das cenas que ele participa, onde está sendo babaca e acaba se dando bem por isso, eu incluso.
Mas o meu ponto é que já havia algo assim na primeira trilogia. Em Retorno de Jedi, enquanto o conflito entre Vader, Luke e o Imperador se desenrolava, assistíamos a princesa Leia e Han Solo enfrentando stormtroopers ao lado dos Ewoks.
Os Ewoks são criaturas residentes da lua de Endor com aspecto tribal como comer gente, apesar de não ser canibalismo. Essas criaturas bizarras, mas contínuo adorando-as, participam por quase quarenta minutos de telas, fazendo gracinhas irritantes e derrotando os troopers da forma mais imbecil possível. Os Ewoks cumprem o que Jar Jar Binks fazem na trilogia prequel, trazem alívio cômico para crianças, pois você querendo ou não, Star Wars é uma obra com apelos infantis. O próprio Lucas afirmou este propósito de Jar Jar.
Os Ewoks merecem mais críticas que o Jar Jar, mas o fandom de sangue nos olhos provavelmente não sente ódio deles porque os viu quando crianças, achando-os adoráveis. Assim como alguns jovens mais atuais adoram Jar Jar por ser adorável.
Outra coisa que levo em consideração é que não vejo críticas as animações de Clone Wars e Jar Jar está lá. O mesmo povo que o critica em Ameaça Fantasma não o critica na animação, isso porque há episódios focados no gungan. Eu não gosto do Jar Jar, mas adoro os Ewoks. Isso não me exime de mostrar que os Ewoks são bizarros, porém não me dá o direito de ameaçar de morte o ator de Binks, algo que este fandom já fez.
2 – Mid-Chlorians, o motivo da briga mais infantil sobre Star Wars que eu já vi. Com base no que foi dito por Qui-Gon, os mid-chlorians são microrganismos que sentem a força, vivendo em cada indivíduo, facilitando que aqueles com domínio da força as manipule com mais facilidade.
Muito simples, não? Lucas queria uma maneira de medir a capacidade dos indivíduos de controlar a Força e para isso a quantidade de mid-chlorians é importante. Mas os tontos acreditam que os mid-chlorians são a própria força, o que é algo completamente idiota. A Força não é um micróbio!
E toda essa confusão pode ser colocado na conta de George Lucas que não conseguiu pensar em uma forma de mostrar que Anakin era o escolhido.
3 – Clones de Jango Fett definiram a vitória da República contra os Separatistas. Não precisava de muito, já que os droides inimigos rodavam no sistema Windows 96. Os clones possuíam alto treinamento militar, liberdade suprimida e envelhecimento acelerado de dar inveja a Solid Snake, facilitando seu uso e controle.
Qual o problema de tudo isso? Bem, o material genético deles provém de um caçador de recompensas, Jango Fett, o “pai” de Boba Fett. Boba também é um clone, mas com envelhecimento normal e nenhuma alteração na personalidade, sendo treinado por Jango e cuidado como filho. Até aí tranquilo. Mas aquele fandom não admite que Boba tivesse seu rosto mostrado ao público, e ainda por cima com cara de um “filipino genérico”, sim, exatamente o que eu já li.
É estranho esse preconceito dos mesmos fãs que elogiaram Rebels pela miscigenação de seus personagens principais. Mas estes mesmos fãs criticaram a presença de um Stormtrooper negro no trailer de Despertar da Força. Não creio que sejam nazis, mas sim adultos birrentos que esqueceram de crescer e honrar a idade apresentada no RG.
Também houve alvoroço quando Lucas disse que os primeiros Stormtroopers eram clones, o que é mais do que óbvio, já que os clones não eram eternos e era o exército principal da República, logo precisariam ser substituídos por pessoas que queriam servir o Império. O problema é que esse fandom birrento interpretou como se eles fossem só clones, sendo que no primeiro filme o próprio Luke queria ser um soldado imperial, pois ouviu o anúncio de recrutamento.
4 – O confronto de Obi-Wan com Anakin é plágio de Goku e Freeza. Cof, cof. Prefiro não comentar, próximo!
5 – Luta de Yoda contra o Conde Dookan. Uma cena de mentor contra aprendiz que se tornou Sith, dessa vez entre o então considerado maior Jedi, Mestre Yoda contra o Conde Dookan, líder do exército separatista e inimigo da República. A crítica dos chatos foca nas piruetas que o idoso Yoda realiza na batalha, algo utilizado por Lucas para mostrar a qualidade de efeitos especiais que o filme possuía, pois o mestre deveria estar com a mobilidade comprometida pela idade de quase novecentos anos. Considerar que a raça de Yoda poderia reagir diferente quanto a velhice passou longe da cabeça deles.
Um amigo me contou sobre a teoria de que Yoda teria ficado fraco com a morte dos jedis após a Ordem 66, o que tem fundamento, já que ele sente quando seus colegas começam a serem massacrados. Talvez ele tenha um vínculo muito forte e a Força o mantenha forte por causa disso.
Até agora seria para mim a crítica mais válida, mas ela continua procurando pelo em ovo.
6 – Morte do general Grievous foi muito rápida. Sim, a luta é rápida, Grievous se descuidou e Obi-Wan fatiou o infeliz, mas quantas mortes com sabres não foram assim? O confronto do próprio Obi-Wan contra Darth Vader em Nova Esperança tem dois minutos e o velho leva um golpe e evapora.
Também vejo críticas de como o personagem é retratado no filme, não só em aparência como em sua personalidade agressiva e autoritária. Esse mesmo pessoal elogia Clone Wars, que tem um foco enorme no antagonismo de Grievous e seus trejeitos são criticados pelo próprio Conde Dookan, mencionando que os republicanos não tratavam os clones da mesma forma que o general trata dos droides.
7 – Estilo dos personagens da primeira trilogia eram melhores. Melhores? Prefiro diferentes e originais. Tomemos o trio principal: Han Solo tem um estilo oitentista evidente, sendo impossível não o comparar com outros protagonistas de filmes de ação da época, seja pelo corte de cabelo ou pelo comportamento, Solo definia bem o que era popular na época; Leia realmente tinha um cabelo “excêntrico”, mas nos fazia imaginar uma forma comum de se vestir entre as princesas do universo apresentado; Luke tinha um cabelo comum dos anos oitenta, não causando estranhamento. O visual deles são icônicos e facilmente reconhecidos por qualquer fã da série.
Mas convenhamos, a época era outra. Nos anos 2000 tínhamos visões diferentes e o visual anos oitenta não colava mais para a série futurística, daí recebemos visuais como o de Anakin no terceiro filme, da Padmé, da sósia da rainha, do Obi-Wan (aquele cabelo entupido de gel), que era algo que estávamos acostumados a ver, ou era algo que levava a crer que seria do universo, como o estilo de Leia na primeira trilogia. O tempo mudou, a série também, nada mais normal.
8 – Diversos jedis e nenhum deles notou que Palpatine era Sith. Palpatine é o maior manipulador da série. Manipulou Dookan enquanto este era aprendiz, ao mesmo tempo que manipulava Anakin, que entraria em seu lugar. Provavelmente fez isso com Darth Maul, mas com mais facilidade, já que criou ele desde garoto. Se ele é assim com os aprendizes, imagine o que ele faz com o resto da República.
O senador Palpatine não levantava suspeitas, só dando alardes quando se tornou chanceler. Sidious não somente controlou as Guerras Clônicas por debaixo dos panos, como também iniciou seu plano de erradicação de Jedis com projeto de lei necessário para a República, graças a guerra, só executando-o no momento certo. Palpatine mostrou-se intocável e ainda levou Anakin para o lado negro que, quando se tocou da verdade, já era tarde demais. De nada adiantou a desconfiança do Conselho Jedi, onde o próprio investigador deles o traíram.
Sidious é o maior manipulador da saga e não sinto surpresa alguma ao saber que ele não foi notado pelos jedis. Graças ao apoio político obtido, quando os adversários se tocaram da verdade, já era tarde demais, e morre-se a democracia.
9 – Anakin Skywalker não era do jeito que eu imaginei. Certo dia li o seguinte comentário: “Eu imaginava o Anakin como um cara durão que aos poucos veria a República e os Jedis não serem totalmente corretos e essa corrupção o levaria a se tornar um Sith”.
Anakin Skywalker é retratado como um ótimo Jedi, porém inconsequente e rebelde, fazendo as orientações de Obi-Wan parecer uma afronta as habilidades dele. Mas também ele é mais do que isso, principalmente no terceiro filme. O medo dele perder Padmé e o medo de perder mãe o tornaram uma pessoa totalmente controlada pelo seu pavor em perder, levando-o aos poucos a querer fazer de tudo para salvar aqueles que ele ama, sentimento nobre, que logo se desvirtuou e tornando-se puro ódio, o fazendo sucumbir ao caminho negro. Sua conversa final com Obi-Wan é o clímax de toda a série, tendo atuação dos dois atores fenomenais (a dublagem brasileira também ficou foda).
Foi a primeira vez que vi o desenvolvimento aprofundado de personagens em Star Wars, além da moralidade jedi ser muito bem explorada aqui. Algumas decisões de Anakin são idiotas, mas dá para ver que o medo paranoico dele o deixou totalmente instável. Anakin não é o que ninguém imaginou, mas seu mérito é exatamente esse, provando-se ser um personagem incrível. Sabíamos o porquê de ele estar agindo daquela forma, provavelmente não faríamos o mesmo, mas compreendíamos o que o levou a tomar as decisões, não sendo injustificável e nem ao menos desumano. Para mim é a crítica birrenta e infantil de todas as que comentei até aqui.
10 – Por que Vader ficou ao lado de Sidious depois da morte de Padmé? O homem atacou o Templo Jedi, cometeu diversos assassinatos e deveria voltar ao lado da luz como se nada tivesse acontecido?
Algo imbecil. Aliás, durante sua última conversa com Padmé, Anakin diz claramente sua intenção de trair Palpatine e construir um império a seu modo, um sonho que ele tenta compartilhar com ela e com seu filho Luke, anos depois. Com esse objetivo, porque ele iria abandonar o lugar de confiança que recebeu ao lado de Sidious? Vale citar que ele só iria contra Sidious se estivesse com alguém ao seu lado.
Extra: “O nascimento de Vader parece uma cena de Frankenstein”. O rapaz perde duas pernas e precisa aprender a andar de novo, né? Cada uma que aparece. Alias, a cena é exatamente uma homenagem de George Lucas ao famigerado monstro.
Eu prefiro a primeira trilogia, mas não entendo o ódio para a segunda. As vezes os fãs criticam algo nela, que tem em outras obras da série que eles elogiam e nem ligam. Na época dos primeiros Star Wars, aquilo era impressionante, original e inovador, cativando quem assistisse. Lucas admitiu em entrevista que não conseguiu reproduzir essas sensações nos novos filmes. Todavia, os filmes não são ruins. Vingança dos Sith é genial, Ataque dos Clones cumpriu seu papel e Ameaça Fantasma me deixa entediado, porém possui cenas bacanas, como a corrida de pod e o confronto com Darth Maul.
Costumo ser otimista com o futuro, mas é triste quando decepciona. Os fãs devem parar de birra e olhar para os próximos eventos, mesmo que algo ruim ocorra na história e ela faça parte do cânone, ainda pode-se tirar muitas coisas boas dessa franquia sensacional.