No texto https://teiasdahumanidade.com.br/2026/01/31/quando-as-palavras-influenciam-a-pesquisa-do-som/ falei sobre Análise do Discurso e como ela pode ser transformada em uma análise sonora. Agora, pra mostrar isso na prática, vou trazer alguns trechos do meu TCC analisando o famoso seriado da HBO, começando com uma breve introdução.
Antes de tudo, vale lembrar que a série é baseada nos livros de fantasia épica de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo. A ideia original era uma saga de sete livros (uma heptalogia), mas até hoje só cinco foram lançados. A obra dialoga com tradições que vão de Cervantes até Tolkien. Dentro desse universo, o compositor Ramin Djawadi trabalha com várias estéticas musicais — romântica, nacionalista e até elementos mais vanguardistas — criando uma sonoridade que conversa bem com essa mistura de influências típica da chamada modernidade líquida.
A série começou a ser desenvolvida em janeiro de 2007, pelas mãos de David Benioff e D.B. Weiss. A ideia inicial era simples: uma temporada para cada livro. Mas isso logo mudou, principalmente porque o próprio Martin, que também atuou como coprodutor, avisou que não conseguiria escrever no mesmo ritmo da série (e cá estamos em 2026: a série já acabou, existem spin-offs, e o sexto livro… apenas alguns recortes de alguns capítulos).
Por causa de uma greve do sindicato de roteiristas dos EUA, o episódio piloto só ganhou sinal verde pra gravação em novembro de 2008. O elenco foi escolhido pelos produtores junto com Nina Gold, trazendo nomes fortes como Sean Bean (Ned Stark), Peter Dinklage (Tyrion Lannister), Lena Headey (Cersei) e Mark Addy (Robert Baratheon).
O primeiro piloto foi exibido para os executivos da HBO em dezembro de 2009 — e não agradou. Resultado: refilmagem completa. Personagens importantes, como Catelyn Stark e Daenerys Targaryen, foram recastados, entrando Michelle Fairley e Emilia Clarke no elenco.
Em julho de 2010, o novo piloto foi finalmente aprovado, e a HBO encomendou uma temporada com dez episódios. As filmagens aconteceram em vários países, como Irlanda do Norte e Malta, o que exigiu uma logística enorme — com várias equipes gravando ao mesmo tempo, algo viável justamente por conta da dupla de showrunners.
Com a estreia marcada para 17 de abril de 2011, aconteceu mais uma mudança importante: o renomado compositor ganhador de Oscar por Shakespeare Apaixonado, Stephen Warbeck, que havia composto a trilha do piloto, saiu do projeto. Faltando apenas dois meses para a estreia, o então pouco conhecido Ramin Djawadi assumiu a trilha sonora da série.
Continua na segunda parte com a análise da primeira temporada…